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Artilharia não ganha campeonato

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Conversando com alguns colegas de agências diferentes, ouvi que seus respectivos chefes definem o sucesso nas mídias sociais de seus clientes pelo número de fãs na página do Facebook, alguns, por exemplo, incluem em seu plano como “objetivo de comunicação” atingir 10K, 15K, 50K, 100K fãs e dependendo do estágio atual eles colocam mais alguns Ks e partem em busca do gol. Todo o trabalho se resume nisso.

Alguns definem como sua meta ter mais fãs que o concorrente, não importa quantos, desde que seja maior que o “primeiro lugar” do segmento no Facebook. Vou colocar um exemplo fictício para explicar:

Imagine duas farmácias de bairro, uma aproveita todos os memes que aparecem na internet e utilizam todas as datas comemorativas disponíveis, usam ADS de forma agressiva e abordam qualquer tema polêmico, mesmo que não tenha relação com a marca. A segunda se concentra em assuntos relativos ao segmento, usam o Real Time Marketing com moderação e sempre contextualizando ao negócio, se não houve uma relação, pula e parte para outra. A segunda marca também busca criar sua própria identidade alinhada ao seu público alvo mais importante, mesmo que tenha um alcance menor.

A primeira farmácia conseguirá obter milhares de curtidas e comentários a cada postagem, já a segunda obterá seu ápice do mês naquela postagem de 20 comentários. Fica a pergunta: a segunda farmácia pode ser considerada uma fracassada?

Deve ter percebido que eu citei o Facebook, nos primeiros parágrafos, pois é onde os “experts” dessas agências tem “domínio” e acham que o público vai estar lá, mas isso está mudando, alguns já estão agora caçando likes no Instagram e depois dessa irão partir para outra.

Tanto a forma da escolha da mídia, quanto a “estratégia” estão matando seus clientes.  Fazendo uma relação com título do post, caçar likes sem conhecer os objetivos de negócios do cliente é o mesmo que alguns atacantes fazem ao caçar o título de artilheiro sem dar apoio ao resto da equipe. O prêmio é individual e vazio, pois dependendo do resto do esquema tático, esses times não chegam nem ao G4.

Objetivo do negócio

Pergunte para alguns profissionais de criação que nunca saíram da agência, qual o objetivo de negócio daquela marca? Qual seu propósito? Como eles produzem e comercializam seus produtos? Quais são seus pontos fortes e fracos? Lá pela terceira pergunta eles começam a gaguejar, alguns irão dizer que a culpa é do cliente, blá, blá, mas nunca sequer visitaram o negócio do cliente e/ou de alguns concorrentes diretos.

Quando você compreende de fato o negócio do cliente, fica muito mais fácil estipular metas e objetivos reais. Você vira um parceiro daquele cliente, nem todas suas postagens irão bombar e virar cases, mas ajudarão a reforçar um determinado posicionamento da marca, divulgar uma novidade ou testar a reação do público para algumas estratégias do negócio.

Mas postar apenas os serviços e produtos vai deixar a página chata? Não estou falando em copiar os panfletos para a tela, isso o próprio cliente poderia fazer, mas não daria resultado, aí entra teu papel como criativo em abordar diversas formas de apresentar o negócio do cliente, produzir conteúdos relacionados e para o público certo.

A questão é não perder o foco, ampliar ao máximo as possibilidades desde que estejam de acordo com o objetivo de negócio do cliente.

Quando você joga um jogo de cada vez pensando em todas as posições do campo (atendimento, venda, construção de relacionamento etc), partida após partida você vai obtendo seus pontos e segue rumo ao título do campeonato. O Cliente levanta o troféu no fim no ano e todos ficam felizes.

Outra coisa, eu disse que nem todas ações irão bombar, mas ter goleadas pelo meio do campeonato é importante, ajuda com a moral da equipe e dá visibilidade para a marca.

Essas reflexões são muito importantes para os gestores de negócios locais e de pequeno porte, pois é muito comum se deixar levar pela vaidade dos XKs e esquecer o objetivo real de se estar ali.

 

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