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O Abutre – Qual o limite da espetacularização?

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“Imagine o nosso jornal como uma mulher aos gritos, com a garganta cortada, correndo pela rua”

 

Em O Abutre (“Nightcrawler“), Louis Bloom (Jake Gyllenhaal) era um homem que vivia com pequenos furtos e que procurava uma forma mais rentável de “trabalho”. Em uma noite, se depara com uma equipe de cinegrafistas freelancer especializada em registros de tragédias urbanas: acidentes de trânsito, violência urbana, assaltos, catástrofes, e outros casos bastante enfatizados no chamado jornalismo sensacionalista, muito adotado no jornalismo americano. Louis descobre que é isso o que deseja trabalhar.

A partir daí encontramos o sentido principal no título do filme, o personagem se torna um abutre em busca de sangue para lucrar com a audiência e conta com a ajuda de Nina (Rene Russo), uma veterana da área, além de estudos pela internet que o ensinam sobre quais imagens e informações têm mais valor nos jornais e como negociar o material aos noticiários televisivos.

 

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“Se tiver sangue, tem audiência.”

 

Louis começa sua carreira a ponto de virar uma obsessão sem escrúpulos assustadora. Passa a ser invasivo e desrespeitoso inclusive com as vítimas, e até mesmo manipula a cena de um crime. Junte isso à forma como o noticiário orienta a notícia como um entretenimento, uma espetacularização da violência e da morte.

O filme demonstra de forma extrema como pode ser doentio o comportamento da sociedade atual, que para para filmar um acidente ou assalto na esquina, a ponto de se perder o sentido de humanidade. Mas, como isso começa e se mantém? Pelos jornalistas sensacionalistas ou pelo cidadão que abre primeiramente a página policial no jornal do dia? Somos todos cúmplices disso? Fica a reflexão sobre a linha tênue entre o compromisso com a verdade e a ética.

 

https://www.youtube.com/watch?v=6X7QjGRrRfI

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